II Congresso Lusófono de Ciência das Religiões

História, Memórias, Narrativas – Ruturas, Violências, Fundamentalismos e Revoluções

LISBOA | 27 a 30 de Maio de 2017

Fé e Globalização

Coordenadores:

José Brissos-Lino (ULHT) e Vitor Rafael (ULHT)

Tema:

Neste simpósio temático pretende-se reflectir sobre a relação entre fé e globalização.

Os seus objectivos passam por:

– reflectir sobre os novos desafios religiosos suscitados pelos avanços tecnológicos, que influenciam o quotidiano do homem religioso, assim como a comunicação e a praxis das instituições eclesiásticas e dos grupos religiosos;

– pensar sobre o papel das religiões enquanto promotoras do desenvolvimento social e humano, em particular nos países em desenvolvimento, com especial incidência no espaço lusófono;

– apreciar as alterações do tecido social, assim como o surgimento dos novos modelos económicos resultantes do fenómeno global, porventura potenciadores de pobreza e desigualdades profundas entre os indivíduos e os países;

– discutir as alterações sociológicas de recorte religioso decorrentes dos fluxos migratórios provocados pela globalização à escala mundial, com especial incidência no espaço lusófono;

– considerar as mudanças culturais decorrentes dos fluxos migratórios provocados pela globalização à escala mundial, com especial incidência no espaço lusófono.

O Olhar Inglês no Protestantismo

Coordenação:

Alexandre Honrado (ULHT)

Tema:

No sentir religioso e na interpretação cultural a ele inerente, o século XVI  é abalado pelas convulsões cristãs mais profundas, associadas ao amplo processo da Reforma Protestante, movimento político-religioso, eminentemente cultural que afetará a prática da fé cristã, na Europa, no imediato, e no resto do mundo, a breve prazo. A Reforma Inglesa (ou Reforma anglicana) foi o lado visível dessas transformações em território inglês, onde a ruptura com a autoridade do Papa e a Igreja Romana e uma guerra civil que mudarão formas de pensar, sentir e agir cuja originalidade ocorre agora rever pode ainda sentir-se no que há na atualidade dessas mudanças, como vê-las à luz da História. A Inglaterra do Brexit será a mesma de Henrique VIII, de Maria I ou de Jaime II? Que marcas ficaram da longa clandestina ilegalidade dos católicos – entre os séculos XVI e XIX – ou que podemos ler hoje dos antigos princípios da Declaração dos Direitos de 1689 ou da Revolução Gloriosa, da mesma época? O legado do antigo status quo católico permanece uma questão de discussão ainda hoje. Fica portanto o desafio deste simpósio.

Humor e Religião

Coordenação:

Área de Ciência das Religiões (ULHT)

Tema:

A relação entre o universo religioso e dimensão humana do humor assume frequentemente uma tensão que tende a complicar a sua comunicação. O riso e as narrativas da sátira são elementos atribuídos a um plano destituído de noção de sagrado, e categoricamente entendido como profano. Este Simpósio Temático desafia à reflexão do lugar do humor na relação com a religião e a espiritualidade. Dos casos extremistas, aos mais inspiradores, ambos os universos do humor e religiosidade são humanos, o que garantirá à partida a sua inevitável interacção. Que lugar tem então o humor na religião? Proibido? Tolerado? Permitido mas com condições? Que características compatíveis ou incompatíveis assumem estas duas actividades humanas?

As Origens e as Relações do Espiritismo Kardequiano

Coordenadores:

Adriana Gomes (UERJ) e Marcelo Gulão (UERJ)

Tema:

O espiritismo surgiu na França em meados do século XIX a partir das investigações de Allan Kardec, que foi um dos pioneiros nas pesquisas dos fenômenos mediúnicos. Suas análises tornaram-se influentes na cultura europeia do período, assim como na religiosidade de países lusófonos desde os anos finais do oitocentos até a atualidade, com destaque para o Brasil. Dessa forma, contemplaremos pesquisas que busquem analisar o espiritismo em seus múltiplos matizes (científico, filosófico e religioso), a sua transposição e os seus desdobramentos em diversos países, com a depreensão de suas especificidades religiosas e os presumíveis conflitos estabelecidos nas relações com as instituições médicas, acadêmicas, políticas e religiosas ante a prática do espiritismo.

Oralidade em Religiões Africanas e sua Diáspora –

Coordenadores:

Marcos Verdugo (PUCSP, BR) e Cleberson Dias (PUCSP, BR)

Tema:

A oralidade negro-africana engendra um modo particular de agenciamento do conhecimento: baseada em certa concepção da humanidade, do seu lugar e do seu papel diante da realidade concreta, fundada na iniciação e na experiência de mundo, cria um tipo particular de homem e mulher. Neste sentido, a oralidade negro-africana é toda forma-sentido que habita a linguagem, o centro unificador do desejo do sujeito-oral de se-saber-ele-mesmo (movimento de soberania) e de se-ter-a-si-mesmo no mundo (movimento de autonomia). A lógica do oral se assenta no gerir e transmitir da memória-conhecimento que, por sua vez, expressa as relações sociais, culturais, econômicas, históricas e espirituais dos indivíduos em uma sociedade oral. Este simpósio busca, assim, reunir trabalhos que explorem as dinâmicas discursivas da oralidade em religiões africanas e em sua diáspora, relevando que a própria constituição e permanência desses imaginários é a história da memória-ruptura de humanidades negociadas na lógica da modernidade/colonialidade do século XV aos dias atuais; logo, são as poéticas religiosas negro-africanas que evidenciamos de modo a revelar as memórias ancoradas em corpos negros.

História, Intimidade Religiosa e Fé: entre a Instrumentalização da “Palavra de Deus” e a Natureza da Fé

Coordenadoras:

Dalva Pedro da Silva (PUC-GO-BR) e Elenice Fatima de Oliveira (PUC-GO-BR)

Tema:

Fé e religião são coisas distintas. A religião materializa a fé. A história da fé das comunidades bíblicas, do Antigo e do Novo Testamento, é contada por meio das narrativas dos textos considerados sagrados, entre outros. Nem sempre essa história foi pacífica e ingênua. Questões políticas, rivalidades, busca pelo poder, competições, são alguns dos ingredientes que contribuíram para a formação da identidade de algumas comunidades ditas da fé. Este grupo propõe a investigação das influências de fatores históricos na construção das narrativas e a consequente interpretação dessas narrativas no decorrer da história, podendo transformar a “palavra” em instrumento de manipulação das consciências e contribuindo para a institucionalização a fé.

Sociabilidades Católicas e Cultura Política nas Sociedades Ibérica e Latino-americana Contemporâneas

Coordenadores:

Cláudia Touris (Universidade de Bueno Aires, ) e Rogério Luiz de Souza (UFSC, BR)

Tema:

Os recentes estudos sobre o campo religioso têm exigido centrar a atenção menos sobre uma suposta fragilidade da religião no mundo contemporâneo que sobre a capacidade dos sujeitos religiosos em criar novas formas sociais de atuação, engajamento e militância sob o signo do crer. E cabe aos pesquisadores e estudiosos pesquisarem e analisarem as experiências desses sujeitos em vista da compreensão de nossa própria história e de nossas relações humanas, visto que isto está intimamente relacionado à cultura dos países ibéricos e latino-americanos.

A transformação da cena político-religiosa nos últimos dois séculos tem exigido, portanto, renovações teóricas sobre a produção do religioso e demonstrado a dinâmica de um campo rico em discursos e práticas que interferem permanentemente no social, no político e no econômico.

A presença do catolicismo nas sociedades ibérica e latino-americana, neste aspecto, é, sem dúvida nenhuma, impactante e marca a contemporaneidade por meio de um jogo complexo de transferência de práticas institucionais e político-culturais. A constituição de organizações católicas ou movimentos militantes católicos e a participação de católicos no seio de organizações institucionais e militantes exigiram um processo de sociabilidades que passou por uma redistribuição mais ou menos profunda das redes de relação nas quais estes mesmos católicos foram inseridos. Afinal, participar destas organizações e destes movimentos é interagir com outros membros e atores da sociedade de maneira regular; é construir uma identidade social e uma cultura política.

A atuação de católicos nos séculos XIX e XX responde a uma dinâmica histórica que preparou o espaço de diálogo entre os mais diversos setores e movimentos políticos, criou uma rede de contatos e aproximações e alimentou a função teleológica e social do catolicismo. A história do engajamento católico ibérico e latino-americano está posicionada na encruzilhada dos grandes problemas sociais e políticos da época contemporânea. Queremos, pois, confirmar o interesse renovador de debater a história desta cultura político-católica nestas sociedades

Religião, Espaço Público e Política na Contemporaneidade

Coordenadores:

Emerson Sena da Silveira (UFJF, BR), Manoel Ribeiro de Moraes Júnior (UEPA, BR) e Marcos Vinicius de Freitas Reis (UNIFAP, BR)

Tema:

A movimentação de grupos religiosos em torno ao espaço público e na política tem aumentado no Brasil, Europa e nos EUA nos últimos anos: evangélicos pentecostais e não-pentecostais, católicos, afro-brasileiros, islâmicos, dentre outros grupos religiosos, em maior ou menor grau, desenvolveram diferentes formas de atuação junto ao espaço público e aos agentes e partidos políticos. No espaço público das sociedades laicas e democráticas ocidentais, esses grupos religiosos, nos novos contextos sociais e culturais, procuram influenciar a agenda das políticas públicas e sociais do Estado, elegem representantes políticos, atuam no campo da assistência social, das mídias de massas e eletrônicas, da luta por direitos humanos, dentre muitas outras formas, algumas delas agressivas. A partir dessas considerações iniciais, o presente ST pretende acolher trabalhos teóricos, empíricos ou teóricos-empíricos, e suas variadas metodologias, que abordem a atuação concreta desses agrupamentos religiosos nos contextos sociais contemporâneos, em particular na intersecção entre o espaço público, em suas múltiplas dimensões e a dimensão da política, entendida não apenas no sentido estatal-laico, mas também o sentido da busca por legitimações e reconhecimentos políticos.

História, Memória e Ritualismo dos “diabos” populares

Coordenador:

José Filipe Pinto Marques Da Silva (UP, PT)

Tema:

A cosmovisão religiosa pode ser distinguida, em termos gerais, sob duas égides ou modalidades de adesão: o crente canonicamente orientado, que segue a normatividade imposta ou sugerida por uma das Religiões maioritárias, e o crente canonicamente difuso, que adere a valores e ritualismos de natureza mais flutuante e epistemologicamente imbricada numa diversidade de vectores paralelos. A desregulação dos sistemas de crença é algo que, nos últimos decénios, se tem tornando particularmente visível, sendo frequentes os casos de – por exemplo – Cristãos assumidos que frequentam simultaneamente os serviços pastorais e sessões espíritas ou médiuns de incorporação. A figura clássica do diabo como opositor ou inimigo aparenta estar despersonalizada e ressurgir contemporaneamente sob uma pluralidade de formas primitivas e animistas, quase que individualizadas ad hoc, através das quais se vão cultuando, com maior ou menor sincretismo, entidades e ídolos paralelos que se tendem a sobrepor às práticas historicamente dominantes (como os distintos casos do Vudu, Candomblé ou Satanismo Goético). Neste simpósio, pretende-se analisar e discutir sobre a história, a memória e o ritualismo das diferentes camuflagens fenomenológicas e as vias de culto, adoração e pregação destes ídolos não-canónicos e até mesmo anti-canónicos, independentemente da “santidade” ou “demonidade” com que são comummente – socialmente – referidos.

A Configuração Xamânica na Amazônia Brasileira: Epifanias e Presenteísmo de Múltiplas práticas

Coordenadoras:

Iraildes Caldas Torres (UFAM) e Artemis de Araújo Soares (UFAM)

Tema:

Discutir as práticas xamânicas dos povos indígenas da Amazônia brasileira supõe o rompimento com a postura canônica e dogmática que se instalou no pensamento moderno. Torna-se fundamental adotarmos a noção de trágico para compreendermos estes povos que vivem o humano em meio à transcendência e finitude, tensionados pelas ambiguidades, contingências, limites, disputas e solicitude do tempo contemporâneo. Este simpósio assume o propósito de recepcionar trabalhos que retratem e analisem as múltiplas expressões do xamanismo indígena na Amazônia brasileira, e em outros países, de modo a estabelecer um debate e uma troca dialógica no âmbito das culturas ancestrais e, para além delas, em sua ressignificação. São expressões fecundas, neste campo, as práticas xamânicas presentes nos rituais de passagens da vida e da morte, ritos de covades e de afastamento dos espíritos, práticas de benzição, ritos de agradecimento à Tupana pela boa colheita e fartura; rituais para chamar a chuva, manuseio de ervas para cura de doenças; os rituais de puberdade do menino e da menina enquanto passagem para a vida adulta. Enfim, trata-se de múltiplas epifanias e presenteísmos religioso que vivem a transcendência da fé, a partir de suas teogonias, cosmogonias, interconectados com o tempo contemporâneo e seus processos de deslocamentos.

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